Domingo, 21 de Março de 2010

 Esse rio que vai lento

espreguiçando-se a teus pés
não traz nunca a mesma água
não volta nunca para trás
Já não é o mesmo rio
e nem uma das suas ondas
voltará para a nascente

Não te prendas a uma onda qualquer
que a teus pés venha morrer
Enquanto o teu pé estiver
dentro dessa mesma água
Muitas outras novas ondas
junto dele irão morrer

Na cidade onde eu vivia
sempre tão cheia de gente
se bem que ninguém lá fique
é costume ouvir cantar
Uma cantiga que fala
do fluir das coisas que há
neste mundo, e assim começa

Não te prendas a uma onda qualquer
que a teus pés venha morrer
Enquanto o teu pé estiver
dentro dessa mesma água
Muitas outras novas ondas
junto dele irão morrer


Fiama Hasse Pais Brandão (15-08-1938 / 19-01-2007)

 

Prémio Revelação de Teatro da Soc. Port. de Escritores, 1961.
Prémio Casais Monteiro (Poesia) da Sociedade Portuguesa de Escritores, 1975.
Grande Prémio Inapa de Poesia, 1986.
Prémio de Poesia do Pen Clube, 1986.
Finalista do Prémio Europeu de Literatura / Aristeion, 1992.
Prémio D. Dinis de Poesia, 1996 (Epístolas e Memorandos)
Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores, 1996 (Epístolas e Memorandos)



publicado por Bibliotecas de Penedono às 09:30
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