Segunda-feira, 22 de Março de 2010

Continuamos a publicar os vencedores do concurso de textos de Natal organizado pelo  departamento de Línguas. O texto vencedor do 6º ano é o que a seguir se apresenta. Leiam... e apreciem!

 

 

O Espírito do Natal
 

Há muito tempo, na bela cidade de Londres, vivia um velho casmurro que ninguém suportava. O seu nome era Benjamim, cuja personalidade era feia, forreta e sempre muito triste. Benjamim vivia sozinho, apenas tinha um sobrinho, que pela sua avareza quase nunca o visitava e por quem ele nutria pouca simpatia.

Benjamim era dono de uma conhecida loja de trocas que lhe permitia ter bastante riqueza. Na altura do Natal, a loja enchia-se de pessoas viviam com intensa alegria, o espírito natalício.

O velho porém detestava o Natal e ignorava tudo o que com ele se relacionasse, ignorava as pessoas que na rua faziam bonecos de neve e corriam alegres com os seus filhos, que corriam às lojas comprando belos presentes, esbanjando dinheiro, que segundo ele deveria ser guardado num cofre.

A véspera de Natal, chegou e Benjamim dirigiu-se à sua «humilde» mansão, que ao contrário das outras casas, onde se ouviam os gritos alegres das crianças e o cheirinho a perú assado, nada havia, nem ninguém se ouvia. Naquele dia, que era afinal igual a tantos outros, jantou e foi-se deitar.

Ao soar da primeira badalada, do dia vinte e quatro de Dezembro, apareceu na sua poltrona, um espírito que estava todo acorrentado e com guilhetas.

– Benjamim! Benjamim… – repetiu o espírito.

– Sim! – disse Benjamim, com medo.

– Estas correntes são o fruto da arrogância, do desprezo e forretice do homem! Estas foram as minhas más acções e erros, enfim todos os natais ignorados. Se eu soubesse que o preço era penar por esse mundo fora! Aí, como eu me arrependo! Estou aqui para te avisar, para te prevenir. Não sigas pelo caminho errado, abre o teu coração.

– Tretas! Tu não passas de uma alucinação! - retorquiu Benjamim.

– Ouve com atenção! Vais ser visitado por três espíritos que irão fazer perceber a importância do Natal, aproveita a tua oportunidade!

A segunda badalada soou e o seu som estridente assustou o velhote. De repente ele viu uma vela gigante, com cara mãos e pernas…

– Quem és tu? – perguntou arrepiado.

– Sou o Espírito do Natal passado, de todas as tuas memórias e pensamentos. Vem comigo!

Num breve segundo, eles começaram a voar, saíram do quarto e retrocederam ao passado…

Benjamim reviveu, bem de perto, todos os seus natais e a sua arrogância, todos os seus erros, que para ele nada queriam dizer. De repente suspirou aflito:

  – Espírito, leva-me daqui, não aguento mais!

Lá voltaram os dois para o quarto, mas sem demoras logo lhe apareceu um novo espírito. Era uma figura gigante com grandes barbas castanhas e uma coroa de azevinho.

– Eu sou o Espírito do Natal presente e vou-te mostrar como vivem algumas pessoas pobres, algumas até graças a ti. Irás descobrir porque é que todos te odeiam.

Saíram então do quarto e voaram pela cidade. Benjamim avistou toda a miséria que existia. Crianças deficientes a morrer à fome, ao frio, enfim a mendigar por um pequeno naco de comida.

– Espírito, tu és como o outro a tentar mostrar-me o verdadeiro sentido do Natal, mas eu não serei vencido! – resmungou o velho com raiva.

– Se é assim que queres … Assim será o teu destino, mas o terceiro espírito que te vem visitar será bem pior e tu meu velhote desejarás nunca tê-lo conhecido!

Num segundo, ele desapareceu, o cenário mudou e desta vez rasgou-se um quarto com muito espaço e muito escuro.

Ouviu-se então a última e derradeira badalada. Benjamim olhou para todos os lados e nada viu.

– Ufa! Estou safo! - suspirou aliviado o velhote.

Apareceu então atrás de si, uma sombra encapuzada, com uns grandes olhos vermelhos e uma foice na mão. Seria o futuro ou a morte inesperada?

– Eu sou o teu futuro e tu vais pagar por tudo o que fizeste enquanto estavas vivo!

Benjamim desatou a correr em círculos sem conseguir sair dali, até que deu conta que corria dentro de um assustador cemitério. Parou em frente a uma lápide iluminada onde estava escrito o seu nome. Não queria acreditar, que aquele espírito com quem tinha falado era a morte e vinha para o levar!

Correu fugindo do destino, mas como a neve caía intensamente acabou por cair dentro do seu próprio caixão, cuja tampa imediatamente se fechou , impedindo a sua fuga.

– Socorro, ajudem-me! – gritava desesperado. – Estou morto não posso crer!

– Então Benjamim é assim que queres acabar? – perguntou-lhe o espírito.

– Perdão, peço perdão a todos vós , prometo ajudar todos aqueles que sempre ignorei serei no futuro um homem bem melhor.

De repente, tudo voltou ao lugar e Benjamim acordou na sua cama e olhou em seu redor.

– Yupi! Ainda cá estou!

A partir desse dia, Benjamim passou a fazer bem a todos, doou a sua fortuna, começou a brincar com as crianças, enfim aprendeu a ser feliz. E muitas vezes se ouviu o velho Benjamim a dizer:

– O Natal é a época do amor, da reflexão, pensem em tudo o que de bom deixaram de fazer e poderiam ter feito. Amem se querem ser amados, ajudem se querem ser ajudados.

  
Henrique Pereira nº 8 6ºC

 



publicado por Bibliotecas de Penedono às 17:03
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