Domingo, 11 de Janeiro de 2009

Ao longo das duas últimas semanas de aulas do primeiro período, escreveu-se o conto de Natal (colectivo) que a seguir se apresenta.

Se mesmo quando um autor escreve, sozinho, o seu texto, ele não pode precisar como vai terminar esse texto e para que caminhos o vai conduzir, imaginem num texto colectivo, escrito por quase três dezenas de autores (alunos e professores), em que cada um acrescenta umas linhas! Este, por exemplo – conta quem testemunhou –, esteve perto de se aproximar dum episódio do Star Wars... o que seria óptimo se não contrariasse o tema e a tipologia solicitados... No fim, tudo acabou bem... ou não fosse um Conto de Natal!

 

O conto foi lido por três alunas na Festa de Natal da Escola [ver o vídeo que está no final do conto] e, ainda esta semana, vai ser publicado no Bibliotim (número de Janeiro).

 

 

Conto de Natal

Conta-se que há muitos anos – num tempo em que as pessoas julgavam que já tinham visto tudo e que nada mais as podia surpreender – um rei, sombrio e cruel, proibiu o Natal. Leram bem: proibiu o Natal, e não apenas a comemoração do Natal!

– Este ano – anunciaram os seus arautos por todo o vasto e belo reino de Penedono – não há dia 25 de Dezembro: à meia-noite do dia 24 passamos para o dia 26! Ordens d’El Rei Tolentim!

Ficaram todos muito exaltados. Ficar sem Natal era impensável!

Naquele vasto mas humilde reino, o Natal era a quadra mais maravilhosa do ano, onde se partilhavam sentimentos e bens materiais. Ficar sem Natal era impossível; então as pessoas pediram ao reino vizinho que as ajudasse a deter o malvado rei Tolentim porque … fora ele que encerrara o Pai Natal nas prisões do reino.

O rei vizinho recebeu-os gentilmente, mas lembrou-lhes que o Natal é uma altura de paz e de amor, não de guerras, nem de lutas. Então aconselhou-os a enfrentarem os seus medos e a irem ter com o rei, num clima de paz e amor.

Os habitantes do reino de Penedono foram imediatamente procurar o seu rei. Os dias corriam velozmente e o dia vinte e quatro aproximava-se. Receosos, porém determinados, solicitaram uma audiência real, mas, infelizmente, essa audiência apenas ficou marcada para as dezanove horas do dia vinte e quatro… desse modo, os habitantes ficaram com pouca esperança de ainda poderem festejar o dia de Natal. Começaram, então, a idealizar argumentos para defender o Natal diante do rei malvado: “Que Penedono era um reino com centenas de anos…Que, sem Natal, este reino iria ficar como que destruído pela malvadez de um rei que não tem sentimentos”… Todos estavam infelizes, seus pobres corações estavam destroçados.

Chegou o dia e a hora marcados para a importante audiência com o rei. Todos estavam tão nervosos!

O rei entrou lenta e majestosamente no salão real onde também se reuniam as cortes; um serviçal estendera um magnífico tapete vermelho que o rei atravessou. Os habitantes de Penedono, porém, não paravam de chegar e em breve se tornou evidente que não cabiam todos na sala. O rei, todavia, como gostava de se ouvir e de falar para muita gente, aceitou sair para o adro. Encostado ao seu ceptro, exclamou:

– As minhas ordens têm de ser cumpridas! Como é que alguém ousa desrespeitar as ordens do rei?!

Ao ouvir isto, todos ficaram ainda mais tristes. Os seus olhos brilhavam por causa das lágrimas contidas.

A noite já caíra há muito e as estrelas da Ursa maior brilhavam no céu escuro e alto. Subitamente, uma brisa gelada soprou no adro e das estrelas soltaram, com leveza, uns pozinhos mágicos que vieram cair sobre o rei, fazendo-o espirrar. Quando retomou o discurso, disse:

Aaaaa…sim! Perdão! Aaaaa…sim!

O rei, vermelho como um pimento, apenas queria espirrar, mas as palavras traíam-no. Queria proibir o Natal e não conseguia. A verdade é que as estrelas gostam pouco de reis déspotas e maus, são muito democráticas, brilham para todos!

Então, nesse momento, salta do meio do povo um jovem cavaleiro chamado Amadis que proclamou bem alto:

Todos ouviram: o rei autorizou o Natal! E, agora, filhoses para todos que já são horas…!

Fim
BE
 


publicado por Bibliotecas de Penedono às 23:03
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