Sábado, 30 de Outubro de 2010

A chuva me irritava. Até que um dia
descobri que Maria é que chovia.
A chuva era Maria. E cada pingo
de Maria ensopava o meu domingo.

 

E meus ossos molhando, me deixava
como terra que a chuva lavra e lava.
Eu era todo barro, sem verdura…
Maria, chuvosíssima criatura!

 

Ela chovia em mim, em cada gesto,
pensamento, desejo, sono, e o resto.
Era chuva fininha e chuva grossa,
matinal e noturna, ativa…Nossa!

 

Não me chovas, Maria, mais que o justo
chuvisco de um momento, apenas susto.
Não me inundes de teu líquido plasma,
não sejas tão aquático fantasma!

 

Eu lhe dizia em vão – pois que Maria
quanto mais eu rogava, mais chovia.
E chuveirando atroz em meu caminho,
o deixava banhado em triste vinho,

 

que não aquece, pois água de chuva
mosto é de cinza, não de boa uva.
Chuvadeira Maria, chuvadonha,
chuvinhenta, chuvil, pluvimedonha!

 

Eu lhe gritava: Pára! e ela chovendo,
poças dágua gelada ia tecendo.
Choveu tanto Maria em minha casa
que a correnteza forte criou asa

 

e um rio se formou, ou mar, não sei,
sei apenas que nele me afundei.
E quanto mais as ondas me levavam,
as fontes de Maria mais chuvavam,

 

de sorte que com pouco, e sem recurso,
as coisas se lançaram no seu curso,
e eis o mundo molhado e sovertido
sob aquele sinistro e atro chuvido.

 

Os seres mais estranhos se juntando
na mesma aquosa pasta iam clamando
contra essa chuva estúpida e mortal
catarata (jamais houve outra igual).

 

Anti-petendam cânticos se ouviram.
Que nada! As cordas dágua mais deliram,
e Maria, torneira desatada,
mais se dilata em sua chuvarada.

 

Os navios soçobram. Continentes
já submergem com todos os viventes,
e Maria chovendo. Eis que a essa altura,
delida e fluida a humana enfibratura,

 

e a terra não sofrendo tal chuvência,
comoveu-se a Divina Providência,
e Deus, piedoso e enérgico, bradou:
Não chove mais, Maria! – e ela parou.

 

Carlos Drummond de Andrade



publicado por Bibliotecas de Penedono às 20:14
Sexta-feira, 29 de Outubro de 2010


publicado por Bibliotecas de Penedono às 10:23
Quinta-feira, 28 de Outubro de 2010


publicado por Bibliotecas de Penedono às 18:25
Quarta-feira, 27 de Outubro de 2010


publicado por Bibliotecas de Penedono às 18:30
Terça-feira, 26 de Outubro de 2010

Para assinalar o Dia Internacional das BE, os alunos da Escola Básica de Penedono (EB1/JI) foram convidados a descobrir palavras relacionadas com o mundo das bibliotecas numa sopa de letras e a registar num painel tudo o que podem fazer na BE. Acompanhadas pelas professoras, as turmas desenvolveram as actividades ao longo do dia. Os resultados podem ser vistos nas fotos a seguir apresentadas!




publicado por Bibliotecas de Penedono às 18:14
Segunda-feira, 25 de Outubro de 2010

 

 

 

Poema da Biblioteca


Sou cheia de cavidades, conteúdos, somas
Tábuas paralelas, segurando sonhos
Sou alta, larga, profunda – com glórias
Carrego das vidas, todas as histórias

Sou aquela que registra a própria civilização
Sou mais importante do que o pão
Sou forte, plena cortejada e vaidosa
Sou cheia de luz, em verso e prosa

Tenho brilho por ter romance de alguém
Sou altamente cultural também
Sou a que guarda os tesouros da terra
O Reino das palavras, na Paz e na guerra

Sou a que só se desfaz por acidente
Por incêndio - ou demente
Tenho páginas de rostos no meu Ser
Em belo acervo de aventura e prazer

Sou a que é certa por linhas certas
O mundo mágico dos Poetas
Sou a maravilhosa biblioteca
Reino da fantasia para mentes abertas.

 

Silas Corrêa Leite

 

 

 

Passa pela BE e o que preparámos para ti!

 

 

 

 

 



publicado por Bibliotecas de Penedono às 00:24
Sexta-feira, 22 de Outubro de 2010


publicado por Bibliotecas de Penedono às 18:32
Quarta-feira, 20 de Outubro de 2010


publicado por Bibliotecas de Penedono às 18:33
Quarta-feira, 20 de Outubro de 2010

 

 

No ano em que se assinalam cem anos sobre a implantação da República, também a Biblioteca Municipal se associa às comemorações levando a cabo, em colaboração com a Direcção Geral do Livro e das Bibliotecas, uma exposição baseada em textos de autores que marcaram decisivamente a cultura humanístico-literária em Portugal no final do século XIX e início do século XX.

A DGLB convidou dez ilustradores a tratar plasticamente dez temas representativos do contexto social, político, cívico e cultural da época: Ultimatum, Monarquia, 5 de Outubro, Igreja, Educação, Mulheres, Modernismo, Grande Guerra, Chiado e Revistas. O resultado mostra de que forma literatura e arte, passado e presente, se podem cruzar de forma coerente e harmoniosa, dando corpo a um percurso fulcral da história portuguesa contemporânea.

A exposição estará patente ao público na Biblioteca Municipal até ao próximo dia 5 de Novembro.



publicado por Bibliotecas de Penedono às 15:25
Terça-feira, 19 de Outubro de 2010

A hora do conto prossegue também na BE do Centro Escolar.


Às segundas, quartas e sextas-feiras, os alunos do 1.º CEB e do Pré-Escolar contam com a leitura de algumas histórias, à hora de almoço, na BE.

Aqui registam-se as leituras do conto "A ovelhinha que veio para jantar" (apresentado à turma C) e "Os três Porquinhos" (apresentado à turma B).

 

 



publicado por Bibliotecas de Penedono às 12:41
Sexta-feira, 15 de Outubro de 2010

Ontem ouvimos a Daniela Santos, do 7º C, a ler o conto "O amigo dedicado", de Oscar Wilde, partindo, novamente, do livro Contos de sempre.





publicado por Bibliotecas de Penedono às 12:25
Quinta-feira, 14 de Outubro de 2010

Hoje o Clube de Leitura saiu à rua e foi ler As aventuras do menino Nicolau para o Castelo de Penedono! Em seguida, fizemos uma breve visita à Exposição de pintura e escultura que está nos Paços do Concelho!

O livro é muito divertido, a paisagem é incrível, a exposição é muito interessante (a não perder!)... e o regresso teve de ser em passo acelerado... ou alguém tinha de ficar a dormir na escola... ;-)

 



publicado por Bibliotecas de Penedono às 18:32
Quarta-feira, 13 de Outubro de 2010

As histórias continuam a marcar presença na BE da EB 2,3, à quinta-feira, e na última sessão o leitor foi o João Saraiva, que leu Contos de sempre (de vários autores, com a coordenação e selecção de José António Gomes e Isabel Ramalhete, da Porto Editora).

 



publicado por Bibliotecas de Penedono às 14:40
Terça-feira, 12 de Outubro de 2010


publicado por Bibliotecas de Penedono às 16:38
Quinta-feira, 07 de Outubro de 2010

O escritor peruano Mario Vargas Llosa é o Prémio Nobel da Literatura de 2010, foi anunciado hoje em Estocolmo pela Academia Sueca.


 

"Muito comovido e entusiasmado." Assim se sentiu Vargas Llosa ao saber que era seu o Nobel da Literatura deste ano. Foram as primeiras declarações do escritor, feitas à agência de notícias peruana Andina e citadas pela Lusa.

 

Mario Vargas Llosa recebe o 103.º Prémio Nobel da Literatura, atribuído pela primeira vez em 1901. É o 11.º autor de língua espanhola a receber a distinção, depois de laureados como Camilo Jose Cela (1989), Gabriel Garcia Marquez (1982), Pablo Neruda (1971) ou Gabriela Mistral (1945). O autor de língua espanhola que mais recentemente venceu o Nobel literário foi o mexicano Octavio Paz, em 1990. 

Este é o quarto Nobel atribuído este ano, depois do de Medicina (Robert G. Edwards), Física (Andre Geim e Konstantin Novoselov) e Química (Richard Heck, Ei-ichi Negishi e Akira Suzuki) . O prémio literário tem um valor monetário de cerca de um milhão de euros.

 

Detentor de dupla nacionalidade espanhola e peruana, Llosa nasceu em Arequipa, no sul do Peru, a 28 de Março de 1936. Depois de uma passagem pela Bolívia com a família e já no regresso ao seu país, Llosa estudou na Academia Militar Leôncio Prado de Lima, ingressando depois no curso de Letras em Lima. Seria através de uma bolsa para prosseguir os estudos que chegaria a Madrid, onde fez o doutoramento. Llosa acabou por trocar Madrid por Paris, onde além de professor de Espanhol foi tradutor e jornalista da agência noticiosa France Press.Em 1959 publica a sua primeira obra, um conjunto de novelas intitulado “Les caïds”, mas seria quatro anos depois, com a edição de “A cidade e os cães”, que o seu nome ficaria conhecido no mundo literário.

Em 1966, a notoriedade de Llosa confirma-se com o lançamento de “A casa verde”. Seguem-se outras obras como “Conversa na catedral”, “Pantaleão e as visitadoras”, “A tia Júlia e o escrevedor”, “A guerra do fim do mundo”, entre outras. 

Além dos ensaios, romances, novelas e teatro traduzidos em todo o mundo, o escritor é ainda conhecido pelas posições políticas que assumiu, nomeadamente na revolução cubana, tendo mesmo deixado Espanha e vivido em Havana. Mas em 1971 Llosa vira costas à revolução castrista e aos movimentos de extrema-esquerda, justificando-o com a oposição à existência de um “líder máximo”. Regressa de novo a Espanha, onde em 1993 consegue a dupla nacionalidade. O escritor, que havia sido distinguido em 1986 com o Prémio Príncipe das Astúrias, venceu no ano seguinte o Prémio Cervantes.
Mario Vargas Llosa foi uma das personalidades escolhidas para pensar a programação de Guimarães 2012 Capital Europeia da Cultura, estando debruçado, em particular, sobre questões relacionadas com a Agenda Europeia.

Lista de obras de Mario Vargas Llosa editadas em Portugal:

“A guerra do fim do mundo” (Bertrand, 1984)
“História de Mayta” (D. Quixote, 1987)
“A cidade e os cães” (Europa-América, 1977/ Dom Quixote, 2002)
“Quem matou Palomino Molero?” (Dom Quixote, 1988)
“Elogio da madrasta” (Dom Quixote, 1989)
“O falador” (Dom Quixote, 1989)
“A tia Júlia e o escrevedor” (Dom Quixote, 1988)
“Pantaleão e as visitadoras” (Europa-América, 1975/ Dom Quixote. 2001)
“Conversa na catedral” (Europa-América, 1972/ Dom Quixote, 1997)
“Como peixe na água: memórias” (Dom Quixote, 1994)
“Lituma nos Andes” (Dom Quixote, 1994)
“A guerra do fim do mundo” (Círculo de Leitores, 1995)
“Cadernos de Dom Rigoberto” (Dom Quixote, 1998)
“Cartas a um jovem romancista” (Dom Quixote, 2000/ Círculo de Leitores, 1999)
“A festa do chibo” (Dom Quixote, 2001/ Círculo de Leitores, 2001)
“A guerra do fim do mundo”
“A casa verde” (Dom Quixote, 2002)
“O paraíso na outra esquina” (Dom Quixote, 2003)
“A tia Júlia e o escrevedor” (Dom Quixote, 2003)
“Travessuras da menina má” (Dom Quixote/ Círculo de Leitores, 2006)
“Israel Palestina: paz ou Guerra Santa” (Quasi, 2007)
“Diário do Iraque” (Quasi, 2007)

No ano passado a distinção foi atribuída a Herta Müller. Em anos anteriores receberam também o Nobel da Literatura nomes como Jean-Marie Gustave Le Clézio (2008), Doris Lessing (2007), Orhan Pamuk (2006) ou Harold Pinter (2005). José Saramago, falecido em Junho deste ano, recebeu o Nobel em 1998, sendo o primeiro português a ser distinguido nesta categoria pela Academia Sueca.

 

Fonte: Público online.



publicado por Bibliotecas de Penedono às 23:09
Quinta-feira, 07 de Outubro de 2010

 

 

A 7 de Outubro comemora-se o Dia Nacional dos Castelos. Tendo Penedono um dos mais belos castelos do país, este ano a Biblioteca Escolar decidiu evocar a data, associando-se ao Clube do Património da escola. A exposição alia fotografias que procuraram retratar o castelo de Penedono a partir de novas perspectivas à divulgação de outros castelos portugueses, através de fotos e da sua localização num mapa do país (em cartazes e em projecção multimédia).

 



 

 

 

Não percam!



publicado por Bibliotecas de Penedono às 19:12
Sexta-feira, 01 de Outubro de 2010


publicado por Bibliotecas de Penedono às 20:11
Sexta-feira, 01 de Outubro de 2010

A título experimental, no ano lectivo passado, a BE criou um serviço de apoio a professores que quisessem leccionar uma aula no espaço da BE, beneficiando dos seus recursos e da colaboração de uma professora da equipa que, previamente, seleccionaria / prepararia os recursos pretendidos, em colaboração com o professor da disciplina, num conceito semelhante ao do “par pedagógico”.

Este ano a iniciativa "Par Pedagógico na BE" já arrancou e a professora Sandra Semelhe (da equipa pedagógica) preparou e leccionou uma aula sobre Geometria (através da qual fizemos uma viagem que teve início no Egipto e nos conduziu até aos nosso dias e ao nosso quotidiano), respondendo à solicitação do professor Luis Figueiredo.

 



publicado por Bibliotecas de Penedono às 17:33
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